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Matéria Especial

Entrevista com o radialista Aderval Barros

Publicado: sexta-feira,26 de novembro de 2004
Por: CoralNET

UMA ENTREVISTA IMPLACÁVEL

Ele comanda o debate esportivo mais ouvido da cidade, suas opiniões geram polêmicas, já foi taxado de "Coveiro do Futebol Pernambucano" e, como ele mesmo diz, nunca fica em cima do muro.

O "pai" do "jumento" mais conhecido do estado solta o verbo nesta reportagem, fala sobre o rádio pernambucano, futebol, os problemas do Santa Cruz, propõe soluções e, é claro, dá declarações que vão dar o que falar.

A CoralNET traz o implacável, dono de uma das vozes mais conhecidas do estado, como você nunca leu.

COMO FOI QUE VOCÊ ENTROU NO RÁDIO?

Eu era vendedor de móveis e apesar de sempre ter gostado de futebol, nunca havia passado por minha cabeça em trabalhar com isso. O rádio entrou na minha vida como uma grande surpresa, e eu fui, fui... E acabei gostando. Teve um momento em minha vida que eu tive que escolher se eu continuaria no rádio ou se permaneceria como vendedor, e quatro anos depois, em 1982, eu decidi pelo rádio. Não tive dificuldade para me adaptar, já que era vendedor e estava acostumado a falar bastante. A adequação que passei foi só com a voz e somente o tempo lhe dá esse domínio. A maior dificuldade, que tive foi com a questão financeira, como vendedor eu tinha uma vida relativamente boa, já o rádio não me dava esta troca financeira.

QUAL A MAIOR SATISFAÇÃO QUE A RÁDIO LHE PROPORCIONA?

Interagir com as pessoas é o maior prazer. O poder da comunicação é muito abrangente, muito importante. Às vezes eu penso em trabalhar menos, um programa só por semana ou ir para televisão, mas eu começo a pensar, como seria meu dia-dia? A minha paixão pelo rádio é muito grande.

QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE AS "PERUAS" (NOTÍCIAS IRREAIS OU ESPECULAÇÔES)?

Isso não vai acabar nunca, especialmente no futebol. Esse meio é um antro de fofocagem, se você não criar uma imunidade, se complica. Eu conheço todos os fofoqueiros do futebol pernambucano. Sei que tipo de crédito devo dar a informação de cada um que me liga.

Lamentavelmente, alguém sempre passa do limite para chegar a um objetivo, quer que o outro morra, e eu sempre defendi que não é necessário matar ninguém para realizar suas metas.

A RÁDIO JORNAL É A ÚNICA QUE TEM UMA EQUIPE DE ESPORTES PROFISSIONAL?

Infelizmente as outras emissoras, mesmo tendo grandes profissionais nas equipes, não têm esse modelo de competitividade. O ideal seria se tivéssemos nas rádios Clube, Olinda, Tamandaré... Equipes competitivas dentro do mercado, assim teríamos a valorização.

Caso eu perca meu emprego hoje, eu iria pedir emprego a Roberto Queiroz, Ralph de Carvalho ou Léo Medrado e iria de cabeça erguida, mas iria desvalorizado.

Outro aspecto é dos novos profissionais, aonde eles vão se encaixar? Não tem espaço!

A RÁDIO JORNAL É LIDER HÁ 13 ANOS. POR QUÊ?

Ninguém engana durante 13 anos, fazemos um grande trabalho. Alguns podem não gostar de Geraldo Freire, Gino César ou Aderval Barros, mas a maioria absoluta gosta. Isso é muito bom para nós, mas enquanto estamos aqui. E se algum dia sairmos daqui?

A rádio não é minha, não é de Graça Araújo, Geraldo Freire, não é de Adilson Couto, nem de Luiz Cavalcanti. Nós, sem modéstia, fazemos um trabalho extraordinário. Tem meia-dúzia de "tarados" aqui dentro, que chegam às duas horas de manhã, e não têm hora para sair, são vencidos pelo cansaço, aqui não se pensa na hora, se pensa no trabalho.

A manutenção da liderança é muito desgastante, já pensou se a rádio jornal perder a liderança? O escândalo que vai ser.

QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE O ATUAL MOMENTO DO SANTA CRUZ?

O Santa Cruz faz parte de um meio de clubes geridos amadorísticamente. O Santa é o retrato do futebol brasileiro, um clube mal administrado.

A gestão de José Neves teve uma vantagem, que foi enxugar a máquina, diminuir a folha salarial administrativa do clube. Nos últimos 10 anos o Santa sofreu muito com más administrações, tivemos Luiz Arnaldo, empresário extraordinário, que deu uma colaboração grande, mas na parte administrativa foi horrível. O Jonas Alvarenga, gente da maior qualidade, uma das grandes amizades que fiz no futebol, levou o Santa à primeira divisão, mas na parte administrativa ele nada pôde fazer, pois pegou um rombo muito grande.

Depois veio o deputado José Mendonça, outro desastre. Agora vem Zé, que não foi diferente não, foi ruim, mas, no entanto, o Santa Cruz era um cabide de emprego e a atual administração demitiu grande parte desses funcionários, se foi justo ou não, é outra discussão, tudo bem que ele não pagou as rescisões desses funcionários, pois não tinha dinheiro. Está errado? Está, mas reduziu a folha. Ele tinha uma folha de pagamento de 450 mil reais, reduziu para R$ 150.000 e o clube continua funcionando da mesma maneira. Isso é mérito!

HÁ VÁRIOS ANOS NÃO ACONTECIA "BATE-CHAPA" NAS ELEIÇÕES DO SANTA CRUZ, VOCÊ ACHA SALUTAR ESSE PROCESSO ELEITORAL?

Sem dúvida! Por isso que o Santa está dessa maneira. Acho até que deveríamos ter mais candidatos. O processo eleitoral no Santa Cruz me decepciona, o clube vai para uma disputa importante e não tem mil sócios em dia. Isso é uma vergonha! Independe de estar, há 10 anos, sem conquistas. O Santa é um deserto! O Sport tem vida, tem futsal, tem basquete, tem vôlei, você tem tudo. Tem uma circulação de pessoas impressionante. No Náutico é gente pra lá e pra cá, ou seja, tem movimentação. No Santa não tem. O clube não oferece nada, só o futebol, se o time não vai bem, como vai ter sócio?

Acho que todos são culpados, inclusive a torcida, que às vezes exige demais.

QUAL SERIA A SOLUÇÃO?

Pensar, planejar o clube para 10 anos. Não vai ser Antônio Luiz Neto, nem Romero Jatobá que vai fazer isso. O torcedor pode tirar o cavalinho da chuva, não tem ninguém, hoje, com esse perfil no Santa Cruz para fazer isso.

Os tricolores têm que se unir, independente do poder. O cara que tiver juízo não vai querer ser presidente do Santa, hoje.

Têm que se juntar, administradores, advogados, engenheiros e criar um grande grupo. Para pensar o Santa Cruz estrategicamente, pensar tudo, estádio, futebol, marca... Eu não vejo outra realidade. O clube não deve seguir o modelo da Lei Pelé, como Clube Empresa ou S/A, acho que não funciona. A rádio Jornal, por exemplo, já sabe qual será o faturamento em 2005. Isso é uma empresa! Tem que formar um grupo de especialistas, independente de ser ou não torcedor, para indicar, pensar, resolver os problemas do clube.

QUAL FOI O MELHOR JOGADOR DO SANTA CRUZ?

Eu vi Ramón, Nunes, Mazinho "Deus do Ébano", Erb, Givanildo, Birigüi. Seria muito ingrato escolher apenas um.

QUEM FOI O MELHOR TREINADOR?

Carlos Alberto Silva, Evaristo de Macedo e Carlos Froner.

QUAL FOI A PARTIDA INESQUECÍVEL DO SANTA CRUZ?

A final do campeonato pernambucano de 1993, aquela virada histórica, faltando 6 minutos para acabar o jogo, em cima do Náutico.

QUAL FOI O MELHOR TIME DO SANTA CRUZ QUE VOCÊ VIU JOGAR?

O de 1983 marcou muito e também aquele de Givanildo, Luciano, Fernando Santana, que conquistou o penta. Foram duas gerações que ficaram em minha memória.

VOCÊ ACEITARIA ALGUM CARGO DENTRO DO FUTEBOL?

Técnico, não. Pelo menos, hoje em dia, não. Teria que estudar, fazer um curso de treinador, me especializar, antes de aceitar ser técnico de futebol.

Já fui convidado para ser gerente em 1996, antes do Léo Medrado assumir o cargo. O convite inicial foi para mim, mas eu não topei.

Eu digo brincando que nem um clube tem condição de me pagar, mas morro de medo que algum me convide, por que eu sou fascinado por futebol e não sei até que ponto eu resistiria a um grande convite. Algo que dificulta é que o mês nos clubes tem 90 dias.

VOCÊ TEM A EXATA NOÇÃO DO PODER QUE DETÉM?

Tenho. Às vezes eu me surpreendo, me assusto, com a repercussão do que eu falo, no entanto eu sei da responsabilidade que tenho. Muitas vezes eu evito falar algumas coisas porque sei que se eu falar, é bronca, e prejudicarei várias pessoas.

VOCÊ JÁ FOI PROCESSADO?

Estou sendo agora, porque eu não fui omisso. Eu sei que aquele árbitro (Patrício Souza) entrou no campo para fazer uma vistoria (no jogo Sport x Santa Cruz, válido pelo campeonato brasileiro de 2004), já com orientação para adiar o jogo. Eu sei disso, não tenho como provar, mas eu sei. Aí o cara entra de paletó e gravata no campo, sem a bola, faz o "migué", chama a imprensa e diz que não vai haver jogo. Ele não foi honesto, eu não estou o chamando de ladrão, só estou dizendo que ele não foi honesto. Ele recebeu ordem para fazer o que ele fez, e isso não está dentro das normas do respeito e da disciplina da atividade dele.

Eu tenho me policiado muito, sei que cometo muitos excessos, como essa história dos apelidos, é um estilo meu, mas tem hora que eu sei que me prejudica. No caso de Ferdinando Teixeira (ex-técnico do Santa Cruz), que eu só chamava de sociólogo e ele veio me agredir, eu, com certeza, faria o mesmo se estivesse no lugar dele.

Já ouvi até de um cidadão, que ele não entra no futebol para que eu não coloque o "jumento" nele.

O ADERVAL BARROS, DO PROGRAMA "ASSUNTO É FUTEBOL", É UM PERSONAGEM?

A rigor, sim. Mas tem um pouco da minha personalidade. Em qualquer discussão, na minha vida pessoal ou no trabalho, eu me comporto da mesma maneira, em defesa das minhas teses, não naquela "gréia" que eu faço no ar, aquilo é o molho, é o diferencial.

A diferença do nosso debate é o humor, o Maciel Júnior se encaixou muito bem, pois é uma pessoa extrovertida, bem humorada. É um personagem, mas só na parte do humor, mais nada. A personalidade é minha, não farei teatrinho disso.

Futebol é isso, tem que "tirar onda", mas tem que saber cobrar da maneira séria, e eu sou contundente. Todos que me conhecem, depois de me ouvirem no rádio, dizem que eu sou muito tranqüilo e ficam admirados. Na vida pessoal eu tenho uma conduta diferente da qual tenho no rádio.

VOCÊ SE CONSIDERA O "COVEIRO" DO FUTEBOL PERNAMBUCANO?

(Risos) Que nada! Eu faço questão de perpetuar este apelido. Se eu for "coveiro", é porque alguém matou, e não fui eu. Tenho uma história e já ajudei muito o futebol de Pernambuco. Só que os caras só querem elogios, não aceitam críticas negativas. O Sport deve mais de 40 milhões de reais, e eu sou o "coveiro"? O Santa Cruz não sabe quanto deve, um passivo violento, e eu que sou o "coveiro"? Não! Está errado, eles são os verdadeiros coveiros!

QUAIS SÃO SEUS OBJETIVOS?

Eu estou com saudades do microfone, pois passo apenas 40 minutos diário no ar (comandando o debate "O assunto é futebol"). Eu sou radialista, e estou trabalhando como gerente comercial, esta função me dá rentabilidade financeira, mas não me dá prazer.

Eu não sei se volto a comentar futebol, mas quero me dedicar mais a comunicação, talvez com uma hora a mais de programa ou com um programa no sábado.

Outro objetivo é entrar na política, tenho pensado muito nisso, e vem uma eleição para deputado em 2006. Se eu for para política, terei que deixar a rádio Jornal, e é uma decisão de vida que deverei tomar, mas tudo será feito com muito planejamento. Eu aprendi com Dr. Miguel Arraes "Quem tem tempo, não tem pressa"!

UMA HISTÓRIA ENGRAÇADA NA CARREIRA...

Quando estava começando no rádio, usava um gravador bem grande. Um dia estava cobrindo o treino do Santa Cruz e chamei Evaristo de Macêdo (então técnico) para fazer uma entrevista, e ele perguntou qual era o nome da rádio que eu trabalhava, ao saber que era uma emissora de pequeno porte, ele respondeu: "Eu não vou dar entrevista a uma rádio que só sua mãe escuta!" E eu fiquei p%$@'% da vida.

Mas, seis anos depois, já na rádio Jornal, fui cobrir os treinamentos da seleção brasileira na Toca da Raposa (Minas Gerais), e consegui uma entrevista exclusiva com ele, logo após a coletiva. Passei essa entrevista escondido, para ninguém ouvir, principalmente Pedro Luís, que era repórter da Rádio Clube. No outro dia Pedrão veio me perguntar sobre essa exclusiva, e eu inventei uma história para enganá-lo. Senti-me recompensado, e acabou meu trauma com Evaristo de Macêdo.

COMO VOCÊ VÊ OS ATUAIS SITES ESPORTIVOS?

Acho importante, desde que seja tratado de forma profissional. Eu tenho acompanhado, e acho que temos avançado muito, nas três torcidas. Está dividido, tem vários grupos dentro da mesma torcida, mas eu tenho gostado.

O caminho desses sites é colocar as transmissões dos jogos, fazer reportagens ao vivo, mostrar o jogador treinando, mostrando a concentração, sala de musculação, o vestiário. Não pode ter segredo no clube de futebol.

Os avanços vão de acordo com a tecnologia, mas estamos bem posicionados neste aspecto de site.

VALERAM A PENA OS 25 ANOS DE CARREIRA?

Não! Tem mais 25 anos pela frente, cara! (Risos)

O   I M P L A C Á V E L
Nome: José Aderval de Barros
Estado Cívil: Casado
Filhos: 03 filhos
Nascimento: 09/10/1958
Carreira: Rádios Continental, Capibaribe, Caetés, Jornal, Clube, Recife, Manchete, Jc FM, CBN, Jornal
Ídolo: Paulo Marques

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