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Matéria Especial

Washington, um artilheiro que marcou época no Mundão e deixou saudades na Nação Coral

Publicado: terça-feira,26 de setembro de 2006
Por: CoralNET

Em 1993, o Santa Cruz conquistou um de seus títulos mais importantes ao levantar o Pernambucano daquele ano. O que diferencia aquela conquista de tantas outras do clube é a forma como ela se deu, em uma final histórica contra o rival Náutico, na qual o Tricolor virou para 2x1, nos minutos finais, um jogo aparentemente perdido e após uma prorrogação, levantou a taça. O herói daquele jogo chama-se Célio, autor do segundo gol coral, anotado aos 45 minutos do segundo tempo. No entanto, o herói daquele campeonato atende por outro nome, foi o atacante Washington o principal nome daquela conquista.

Quando chegou ao Santa Cruz, Washington já era um jogador experiente. Baiano de Valença, cidade distante 272km de Salvador, o atleta iniciou sua carreira no Galícia, da capital baiana. De lá, passou por Corinthians, Operário/MS e Internacional, de onde se transferiu para o Atlético Paranaense. No Rubro-Negro do Paraná, Washington encontrou aquele que viria ser seu grande parceiro nos gramados, Assis. Juntos, Washington e Assis formaram uma dupla que ficou conhecida como “Casal 20”, referência a um seriado de TV de sucesso nos anos 80.

Depois de conquistar o título paranaense de 1982, sendo Washington o artilheiro do certame, a dupla seguiu para o Fluminense. No Tricolor Carioca, o “Casal 20” também marcou época, sagrando-se tricampeão carioca (1983/84/85) e conquistando o Brasileirão de 1984. Depois do Fluminense, Washington passou por clubes como Guarani, Botafogo, União São João, chegou a retornar ao Atlético/PR, para depois transferir-se para a Desportiva, do Espírito Santo e em seguida, para o Mais Querido.


Sua vinda para o Santa Cruz não foi bem vista por alguns, afinal, aos 33 anos, vindo de um clube sem grande expressão, Washington aparentava àqueles que não acompanhavam de perto seu futebol, que estava próximo do fim de sua carreira. Washington lembra bem dessa desconfiança, que se refletiu em palavras ríspidas por parte de um radialista local, como cita o atacante.

“Quando eu cheguei ao Recife, era mais ou menos horário de almoço, ou seja, horário das resenhas esportivas no rádio. Vim no carro, com um dirigente do clube que foi me buscar no aeroporto. Lembro bem quando ele (o radialista) falou que eu estava velho, que estava vindo para roubar o Santa Cruz”, relembra, com a tranqüilidade de quem mostrou em campo que aquelas palavras não eram verdadeiras.

Sua estréia com a camisa tricolor foi em 9 de abril de 1993, em um clássico contra o Sport, na Ilha do Retiro, empate por 1x1, Washington não marcou nesse jogo. Porém, na partida seguinte, contra a Desportiva Vitória, o atacante fez os três gols da vitória coral por 3x0. Iniciava-se ali a caminhada do jogador rumo a mais um título de artilheiro.Washington fez ao todo 22 gols naquele campeonato, jogando apenas metade do certame, deixando para trás seus concorrentes.

Para o atacante, o jogo mais marcante de sua passagem pelo Santa Cruz foi justamente a épica decisão contra o Náutico. Diante de um Arruda lotado com mais de 70 mil pessoas, o Santa virou o primeiro tempo perdendo por 1x0, péssimo resultado, já que o Mais Querido precisaria vencer para levar a partida a uma prorrogação. Quando finalmente o empate saiu, já parecia tarde demais, aos 38 minutos do segundo tempo, Fernando fez o gol. A torcida alvirrubra já comemorava o título, enquanto a coral deixava o Mundão, quando Célio bateu cruzado e explodiu o Arruda. Muitos tricolores que já estavam fora do estádio retornaram para acompanhar a prorrogação, que terminou sem gols, resultado que garantiu a taça ao Terror do Nordeste.

No entanto, naquele jogo, o artilheiro do campeonato não deixou sua marca, mas sim acabou expulso, obra do árbitro Wilson de Souza Mendonça “o que não consigo esquecer daquele jogo é a atuação do senhor Wilson de Souza, toda vez que o vejo apitando, relembro aquele jogo”, conta. Sobre o time campeão de 1993, Washington é só elogios, principalmente ao técnico. “Aquele grupo de 1993 era bom, era um grupo unido e o técnico, Charles Muniz, era um homem sério, profissional dedicado, conhecia muito de futebol, fez a diferença para aquela conquista”, elogia Washington.


Após sair do Santa, o jogador atuou ainda por mais quatro anos, encerrando sua carreira em 1997, pelo modesto Foz do Iguaçu, do Paraná. Mesmo longe dos gramados, Washington segue acompanhando o futebol e torce muito pelos clubes em que atuou. Quando acontece de dois deles se enfrentarem, como ocorreu no último dia 16, com Atlético Paranaense e Santa Cruz, o coração do atacante fica dividido.

“É complicado quando acontece de ter que escolher entre dois clubes queridos, mas nesse caso entre Santa e Atlético, optei pelo Tricolor, já que vive um momento mais delicado e precisa mais da vitória. Lamento muito a atual situação do clube no campeonato, torço bastante pela sua recuperação”, disse Washington antes da derrota tricolor para o Furacão, em Curitiba, cidade onde o atacante reside.


Atualmente, Washington é responsável por um projeto social, uma fundação voltada para o esporte, que cuida de crianças carentes. Perguntado sobre quais são suas lembranças dos tempos de Arruda, o artilheiro coral é enfático “O Santa Cruz foi um clube onde fui muito bem acolhido, fiz amigos, um clube que tem uma torcida maravilhosa. Minhas lembranças do meu tempo no Santa são as melhores possíveis”, afirma. Cheia de saudades, a Nação Coral também só tem boas lembranças do artilheiro e de seus gols.

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