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Matéria Especial

A incompetência na arte de contratar

Publicado: segunda-feira,4 de dezembro de 2006
Por: Karlos Felipe

Uma festa... da incompetência. É assim que se pode analisar o que ocorreu com o Departamento de Futebol Profissional do Santa Cruz ao longo do ano. Só durante o período de disputa da Série A 2006, nada menos que 64, isso mesmo, 64 jogadores se disseram atletas do Mais Querido.

Há para todos tipos e gostos. Jogadores que foram dispensados logo no início da competição, ainda em virtude da perda do estadual. Atletas “apadrinhados” por alguns dos vários técnicos, que foram dispensados quando da demissão de seus padrinhos, jogadores que foram negociados, emprestados, outros que foram contratados e sequer chegaram a jogar, enfim, não faltou criatividade na hora de contratar e dispensar.

A farra não ficou reservada apenas para os jogadores. Técnicos e preparadores físicos também chegaram aos montes, ao longo do ano, foram seis técnicos e preparadores, porém, como a dupla Givanildo Oliveira e Wellington Vero saiu antes do começo da Série A, “apenas” cinco comandantes diferentes dirigiram o Tricolor.

ELENCO

Dos 60 jogadores, nem todos atuaram. Alguns apenas fizeram número nos coletivos, outros foram dispensados logo no início do torneio, por não terem sido aproveitados sequer no Pernambucano, outros atuaram pouquíssimas vezes. No total, 50 entraram em campo pelo menos uma vez. Um número simplesmente absurdo. Vamos por posições:

Goleiros

Ao todo, cinco goleiros fizeram parte do grupo do Santa Cruz em algum momento desta Série A, destes, quatro entraram em campo.

Gilmar – Contratado no fim do ano passado, junto ao Avaí, foi reserva de Anderson durante o Pernambucano, assumindo a titularidade apenas na segunda partida da final do estadual. Contou com o apoio da torcida em suas primeiras partidas, mas depois de repetidas falhas começou a ter sua permanência na equipe criticada. Com a chegada de Juninho foi para o banco e acabou dispensado em junho.

Anderson – Titular durante o Pernambucano, o jovem prata-da-casa perdeu espaço após algumas falhas, a principal delas na primeira partida da final do estadual, contra o Sport. Permaneceu no grupo, como segundo ou terceiro goleiro. Voltou a ganhar uma chance no time titular na derrota por 1x0, contra o Fortaleza, e foi muito bem. Sendo uma esperança para o próximo ano.

Juninho – Vindo do Cruzeiro, como parte da negociação de Carlinhos Bala, chegou e logo assumiu a titularidade, nos dois jogos antes do recesso para a Copa do Mundo, as derrotas contra o Paraná (0x3) e Vasco (1x2). Com a chegada de Guto, perdeu a vaga e ficou como segundo goleiro. Acabou dispensado com a chegada de Fito Neves.

Bruno – Também prata-da-casa, não atuou, no máximo ficou na suplência em algumas partidas.

Guto – Ídolo do Santa em 2004, retornou ao clube em junho deste ano e logo readquiriu seu status. Praticando grandes defesas, chegou a estar entre os três primeiros colocados do prêmio Bola de Prata, da revista Placar. Mas a má fase do time foi impiedosa com Guto. O arqueiro sofreu 41 gols nos 20 jogos que disputou e acabou afastado, segundo o técnico Fito Neves e o presidente do clube, Romero Jatobá, para “esfriar a cabeça”. Por conta de tal desentendimento com a comissão técnica, deixou o clube na semana que antecedeu a partida contra o Cruzeiro.



Laterais-Direitos

O Santa Cruz teve seis laterais direitos ao longo da Série A 2006, deles, apenas três atuaram.

Osmar – Titular absoluto na Série B 2005, retornou ao seu clube de origem, o América/MG no final da temporada, voltando ao Santa em março deste ano. Não conseguiu repetir as boas atuações em 2006, exceções feitas a momentos esporádicos, como a partida contra o Cruzeiro, no Mineirão. Ainda assim marcou quatro belos gols.

Jamesson – Prata-da-casa, desde 2005 vem tendo chances no time. No início deste ano, foi titular no Pernambucano, enquanto Osmar esteve no América/MG, no entanto, não conseguiu se firmar. Voltou a ganhar oportunidade na partida contra o Fortaleza.

Luizinho – Veio do Cruzeiro, também como parte da negociação de Carlinhos Bala. Chegou para ser titular, já que, na época de sua chegada, Osmar estava em má fase. No entanto, o então dono da posição voltou a jogar bem, deixando Luizinho no banco. Como era um jogador caro para os padrões do Santa Cruz e não estava sendo aproveitado, foi liberado para negociar com outros times.

Reginaldo Araújo – Um dos últimos a chegar, já na Era Fito Neves. Experiente, veio para brigar pelo lado direito com Osmar, mas após as dispensas dos laterais-esquerdos, acabou improvisado por aquele lado, posição que exerceu nos últimos jogos.

Alex Santos – Nem chegou a atuar. Destaque do atual campeão baiano, o Colo Colo, de Ilhéus, machucou-se em sua partida de despedida do clube. Apresentou-se no Arruda lesionado e, nos dez dias que esteve no Recife, ficou no Departamento Médico, sendo dispensado em seguida, em setembro.

Edson Mendes – Contratado no início do ano para ser titular, não conseguiu se firmar. Foi reserva de Jamesson e Osmar, até que foi dispensado em abril, logo após a estréia do Santa na Série A.



Laterais-Esquerdos

Ao todo, foram seis laterais-esquerdos no elenco do Santa ao longo da Série A. Apenas um permaneceu no clube.

Peris – Alvo de duras críticas desde a Série B 2005, era mantido insistentemente pelo técnico Givanildo Oliveira. Após a saída de Giva, passou a ser raramente utilizado. Sua última partida foi contra o Figueirense, na estréia. Sua esperada dispensa aconteceu em junho.

Xavier – Habilidoso, formava, junto com Rosembrick e Carlinhos Bala um trio de amigos e ídolos da torcida tricolor. Porém, não conseguia manter uma regularidade, o que o fazia receber muitas críticas. Com a chegada de Cássio, foi para a reserva, na qual ficou até ser emprestado ao Vitória/BA, em agosto.

Cássio – Atleta experiente, chegou no fim de maio ao Arruda. Foi titular absoluto da ala-esquerda sob o comando de Maurício Simões. Era irregular, fazia grandes partidas, mas não arriscava tanto quanto a torcida gostaria. Acabou dispensado com a chegada de Fito Neves, após permanecer algum tempo lesionado.

Paulo Rodrigues – Dispensado da Ponte Preta por indisciplina, chegou ao Santa em julho. Ficou na reserva de Cássio durante um bom tempo, até o titular se contundir. Suas atuações agradavam, tendo inclusive marcado um gol, contra o Palmeiras. Porém, problemas internos causaram sua dispensa. Foi flagrado xingando o técnico Fito Neves.

Sandro Miguel – Destaque do Serrano no Pernambucano, foi contratado por indicação de Givanildo Oliveira. Porém, quando chegou, Giva já tinha ido para o Atlético/PR. Foi relegado pelos técnicos Giba e Valdyr Espinosa, este último decidiu por sua dispensa sem qualquer critério, sequer chegou a observá-lo em um coletivo.

Max – Prata-da-casa atuou em apenas uma partida, quando foi bem em campo, tendo inclusive dado o passe para o gol tricolor na ocasião.



Zagueiros

Essa foi uma das posições em que houve menos rotatividade em todo o elenco, dos nove zagueiros que fizeram parte do elenco coral em algum momento desta Série A, cinco ainda permanecem e três destes estão no clube desde o início da temporada.

Roberto – Capitão do time em 2004 e na conquista do Pernambucano de 2005, perdeu espaço na Série B do ano passado. Seguiu no grupo, mas raramente atuava. Foi dispensado em junho.

Carlinhos Paulista – Titular na Série B de 2005, permaneceu no time no Pernambucano deste ano, mas as atuações pioravam a cada partida, com falhas de posicionamento grotescas. Chegou a atuar em alguns jogos da Série A, mas também acabou dispensado em junho.

Sidraílson – Prata-da-casa, despontou no clube em 2003 e acabou negociado com o Gil Vicente, de Barcelos, Portugal. Retornou ao Santa no fim de 2005, mas permaneceu na reserva durante todo o ano, só fazendo sua estréia em agosto, na derrota por 2x0 contra o Figueirense, a partir dali, não deixou mais o time.

Adriano – Fator de segurança na zaga coral ao longo de todo o ano, sofreu constantemente com lesões nos joelhos. A mais grave delas ocorreu em julho, na partida contra o Corinthians. O atleta foi submetido a uma cirurgia e ficou cerca de dois meses em tratamento, voltando e reassumindo a titularidade. Porém, inesperadamente, após a partida contra o Corinthians, pediu dispensa do clube. Com três meses de salários atrasados, afirmou que só se pronunciaria após conversar com o presidente, Romero Jatobá. Até o momento, tal pronunciamento ainda não ocorreu.

Valença – Outro que sofre constantemente com lesões. No final do ano passado, uma contusão no joelho tirou o prata-da-casa dos campos por cerca de dois meses. Ao retornar, demorou a apresentar o mesmo futebol, mas recuperou a boa forma e fez grandes partidas, até sofrer nova lesão, no fim de agosto. Recuperou-se, mas voltou a se lesionar, estando no momento há cerca de um mês sem jogar. Por conta disso, foi encaminhado ao INSS, onde foi submetido a uma perícia, para constatar a veracidade de sua contusão, o que causou um mal estar dentro do clube.

Adriano dos Santos – Jovem de 21 anos, foi contratado em agosto, junto ao Nacional/SP. Fez sua estréia contra a Ponte Preta, no mês seguinte, e atuou em algumas partidas.

Márcio Alemão – Chegou ao Arruda em junho, junto com o técnico Maurício Simões, com quem havia trabalhado no Treze. Zagueiro forte no jogo aéreo, seguro no desarme, mas fraco tecnicamente, Alemão assumiu a titularidade e chegou a marcar dois gols. Porém, após a saída de Simões, não voltou a render. Passou muito tempo com um misterioso problema no sistema urinário e após se curar, acabou dispensado pelo técnico Fito Neves, de quem discordava dos métodos de trabalho.

Váldson – Experiente, chegou ao Arruda sob desconfianças, mas logo ganhou o apoio da torcida, por conta de sua liderança em campo. Chegou a marcar dois gols, mas não suportou às más atuações generalizadas. Foi dispensado no mesmo dia da demissão do técnico Maurício Simões, em setembro, sendo inclusive “proibido de pisar no Arruda”, pelo presidente Romero Jatobá.

Hugo – Prata-da-casa atuou em algumas uma partida e agradou bastante. Seguro em campo apesar de inexperiente, é uma grande promessa para 2007.

Ivson – Prata-da-casa atuou apenas por alguns minutos. Foi indicado por Levi Gomes como um dos mais promissores.



Volantes

Dez volantes compuseram o elenco do Santa ao longo da Série A, destes, sete atuaram.

Neto – Chegou ao clube em 2003, mas seu futebol sempre foi contestado pela torcida. Em 2006, passou de herói a vilão em questão de minutos. Marcou o gol do Santa na finalíssima do estadual, contra o Sport, o que levou a decisão para os pênaltis. Mas, nas penalidades, tudo mudou, pois o atleta desperdiçou sua cobrança. Juntando esse fato ao desgaste acumulado anteriormente, Neto perdeu ainda mais espaço, sendo dispensado em agosto.

Junior Maranhão – Reserva de Neto na Série B 2005, assumiu a titularidade com a saída de Andrade, ao fim da última temporada. Bom jogador, eficiente no desarme e dono de um poderoso chute, não deixou mais o time. Viveu um grande momento no início da Era Simões, mas depois caiu de produção, juntamente com o restante do time.

Fernando Miguel – Contratado no início do ano, o atleta tinha ótimas credenciais e tudo indicava que iria se firmar, mas as coisas não foram bem assim. Marcado pelo excesso de faltas, o jogador não conseguiu mostrar um futebol que justificasse sua permanência e foi dispensado em junho.

Fernando Pilar – Caso quase idêntico ao do lateral-esquerdo Sandro Miguel. Revelação do Estudantes no Pernambucano, foi contratado por indicação de Givanildo, junto com o lateral. Bastante elogiado pelo então técnico Giba, atuou na goleada sofrida contra o São Paulo e a partir daí não teve mais chances. Foi dispensado por Valdyr Espinosa, que também pouco o avaliou.

Bruno Lança – Chegou em maio, vindo do Atlético/PR. Marcador forte, comete faltas em excesso, tendo sido expulso em duas oportunidades. Passou um bom tempo longe do time, voltando a ganhar espaço sob a tutela de Fito Neves.

Augusto Recife – Foi o melhor jogador do elenco coral. Vindo do Cruzeiro, também envolvido na negociação de Carlinhos Bala, é incansável na marcação, sabe sair jogando, porém, acabou sendo ofuscado pela má campanha da equipe. Uma polêmica envolvendo o jogador foi sua recusa em treinar, alegando atraso salarial. Desde que chegou, no início de junho, não saiu mais do time. Acabou voltando para Minas Gerais em novembro.

Wilson Surubim – Chegou ao Arruda em junho, após uma boa passagem no Ypiranga, durante o Pernambucano. Volante polivalente, faz às vezes de zagueiro quando necessário. Teve problemas disciplinares no passado, em suas passagens por Náutico e Sport, mas no Santa, até o momento, não se envolveu em maiores polêmicas.

Nego e Edvan – Tiveram poucas oportunidades no Estadual e foram liberados por Giba, em abril, para negociarem com outros clubes.

Vitor – O prata-da-casa não chegou a atuar.



Meias

Chega a ser assustador constatar que o Santa Cruz teve doze meias durante a competição, mas nenhum deles se firmou, tanto que a função acabou sendo diversas vezes exercida  por atacantes. Dos doze, apenas dois não chegaram a atuar.

Zada – Uma das principais, senão a principal, decepção do ano no Santa Cruz. Ídolo em 2005, o atleta deixou o Santa na metade da Série B e transferiu-se para o Acadêmica de Coimbra, Portugal. Voltou em março deste ano e aguardou o início do Brasileiro para estrear.

Sua primeira partida foi também a estréia do Santa, 0x0 com o Figueirense, péssima atuação de Zada. Inicialmente, o atleta depositava a culpa de suas atuações fracas na falta de ritmo, mas, mesmo com o passar do tempo o jogador não evoluía. A torcida, que até então lhe dava crédito, passou a mudar de lado.

As coisas se complicaram ainda mais depois do jogo contra o Figueirense, em Florianópolis, quando após ser xingado pelos tricolores presentes ao estádio Orlando Scarpelli, Zada revidou com gestos obscenos. A gota d’água foi a péssima atuação contra o São Paulo, quando perdeu um gol cara a cara com o goleiro adversário. O atleta foi dispensado em 4 de setembro, dia seguinte ao jogo.

Alex Oliveira – Contratado no início do ano, o jogador fez alguns bons jogos no início de sua estada no Santa, mas logo depois mostrou-se um atleta lento, disperso em campo. A atuação que definiu sua dispensa foi contra o Paraná Clube, em junho, quando foi expulso após tocar a bola com a mão.

Maurício – Homem de confiança do técnico Maurício Simões, o jogador chegou junto com ele ao Santa e jogou apenas uma vez, no segundo tempo da partida contra o Fortaleza, no Ceará. Mesmo sem ser aproveitado, o atleta era sempre relacionado para as partidas. Foi dispensado em setembro, no dia seguinte à demissão de Simões.

Washington – Revelado no futebol potiguar, chegou ao Santa vindo do Novo Hamburgo/RS, a pedido do técnico Maurício Simões. Habilidoso, o atleta foi escalado nos treinos para atuar como segundo atacante, auxiliando o centro-avante. Porém, com a escassez de meias do elenco coral, o atleta acabou improvisado como meia de armação. Evidentemente, não rendeu o esperado. Bastante criticado, foi perdendo espaço. Vinha sendo eventualmente relacionado para os jogos, até ser dispensado um dia antes da partida contra o Cruzeiro.

Jadeílson – Prata-da-casa, tido como habilidoso, mas ainda individualista, foi integrado aos profissionais inicialmente por Givanildo Oliveira. Participou da primeira partida do campeonato, o 0x0 com o Figueirense, mas não agradou. Com as constantes chegadas e saídas de treinadores, perdeu espaço, sendo reintegrado apenas recentemente, por Fito Neves.

Rosembrick – O Mago do Arruda, extremamente habilidoso, ídolo da torcida, chamou atenção de vários clubes do Sul/Sudeste por suas atuações na Série B 2005. Atuou pouco pelo Santa na Série A, pois o Palmeiras demonstrou interesse em contratá-lo. Após uma demorada negociação, na qual o Santa Cruz deveria receber em troca alguns jogadores, mas não recebeu, Rosembrick deixou o Mais Querido, em junho.

Tiano – A vinda de Tiano para o Arruda foi complicada, mas finalmente o jogador fez sua estréia, em março. Porém, uma lesão logo em seguida complicou as coisas para o atleta. Recuperado, não conseguiu reeditar o bom futebol das partidas iniciais. Chegou a fazer ótimos treinamentos, mas não repetia o feito nos jogos. Foi dispensado junto com Maurício e Zada.

Luciano – Outro jogador sub-aproveitado. Vindo do Vila Nova, o atleta fez bons treinos e agradou nas partidas que disputou, mas as constantes mudanças de treinador o atrapalharam. Foi devolvido a seu clube de origem em agosto.

Eninho – O caso de Eninho foi bastante curioso. O atleta chegou ao Arruda muito bem cotado junto à torcida e à critica, pelas suas atuações no modesto Coruripe, atual campeão alagoano e que havia sido eliminado da Série C. Porém, antes mesmo de estrear, o jogador solicitou seu desligamento do clube. Segundo Eninho, o ambiente não estava bom e ele não estava se sentindo feliz no clube, por isso achou melhor sair.

Elvis – Mais um prata-da-casa. Teve algumas chances em 2005 e no início deste ano, mas acabou perdendo espaço por conta da irregularidade. Na Série A, atuou poucas vezes, uma delas, curiosamente, como lateral-direito, contra o Botafogo, no primeiro turno, já que Osmar estava suspenso e o suplente imediato, Jamesson, não tinha a confiança do técnico Valdyr Espinosa.

Lecheva – Foi dispensado na primeira semana do campeonato, em abril, após o desgaste ocorrido na final do Pernambucano. Lecheva já vinha sendo criticado, mas as coisas pioraram quando ele teve em seus pés, durante a decisão por pênaltis, a chance de sacramentar o título em favor do Santa, mas desperdiçou a cobrança, dando chance para os rivais se recuperarem e levarem a taça.

Jairo – Prata-da-casa, estreou no segundo tempo da partida contra o Cruzeiro e em poucos minutos em campo cavou a expulsão de um adversário e marcou um dos mais belos gols da competição. Em 2007 espera se firmar na equipe principal.



Atacantes

Se quisesse, o Santa Cruz poderia montar um time só com os atacantes que vestiram a camisa do time nesta Série A. Dos 16 que fizeram parte do grupo, 14 chegaram a atuar ao menos uma vez.

Carlinhos Bala – Maior ídolo do clube nos últimos anos, Bala já vinha tendo a sua transferência especulada a um bom tempo. As possíveis saídas dele já estavam virando folclore, quando, em maio, finalmente a coisa se concretizou.

Após algumas idas e vindas, Santa Cruz, Cruzeiro e o atleta entraram em acordo. Em troca do futebol do atacante, o Santa receberia uma compensação em dinheiro e o empréstimo de alguns jogadores. A transação se completou ainda em maio e no dia 24 Bala já estreava anotando um gol pelo seu novo time.

Paulinho – O jogador chegou ao Santa em 2005 e foi logo marcando vários gols, mas depois a fonte secou e as críticas começaram a surgir. Mesmo assim o jogador entrava vez por outra e resolvia, como no clássico contra o Náutico, pelo quadrangular final da Série B 2005, quando em menos de um minuto em campo fez o gol da vitória, por 1x0. Mas era muito pouco. Em 2006 Paulinho não conseguiu melhorar e acabou dispensado, em abril.

Val Baiano – O atleta chegou ao Santa com fama de matador, com passagens pelo Santos e artilheiro do Brasiliense na Série B 2004. Mas, uma contusão no joelho dificultou a sua vinda. Curado, restava ao atleta recuperar o ritmo e voltar a marcar gols. Mas nada disso aconteceu, o jogador perdeu várias chances nos poucos jogos que disputou e foi dispensado, em junho.

Thiago Gentil – Reconhecidamente um bom jogador, Thiago aparentemente tem problemas para lidar com egos, inclusive o seu. O jogador chegou ao Santa no início do ano e desde então passou a travar uma briga interna com Carlinhos Bala, o que deixava o clima um pouco tumultuado. O estopim para sua dispensa foi a uma desavença com o então técnico Giba. Thiago Gentil, ou Tubarão, deixou o Santa no início de maio.

Tiago Almeida – Revelação das categorias de base, o jovem Tiago ganhou oportunidades no início do ano, mas não se firmou. Chegou a atuar sob o comando de Giba e Espinosa, mas uma entorse no joelho tirou o atleta de combate.

Wilton Pantera – No elenco profissional desde 2004, Pantera vem sendo pouco utilizado. Só ganhou uma chance este ano com Fito Neves, na derrota por 5x3, contra o Goiás, quando entrou no segundo tempo.

Márcio Mexerica – Um dos símbolos do atual momento do Santa Cruz. O atacante marcou dois gols em suas duas primeiras partidas com a camisa do Santa e só voltou a balançar as redes 15 jogos depois. Era um dos mais criticados pela torcida, quando finalmente foi dispensado, após a derrota para o Corinthians, por 1x0.

Nenê – O jovem atacante primeiro cativou por sua raça, incansável em campo, não enxergava bola perdida, mas, tecnicamente, é muito limitado. Mesmo sendo o artilheiro do time na Série A, com nove gols, é outro que recebeu duras criticas.

Fabrício Ceará – Chegou em agosto, esperado como uma solução para o ataque, dado a sua experiência no futebol português, mas, tão limitado quanto os outros, ou mais, acabou tornando-se parte do problema.

Edson Di – Artilheiro do Coruripe, campeão alagoano, o jogador, com passagem pelo Corinthians, não emplacou. Rápido, com boa movimentação, mas sem ser um bom finalizador, o atleta não conseguiu se firmar nas poucas vezes que jogou em sua posição. Chegou também a atuar na meia, sem sucesso, foi dispensado neste mês, após o desgaste causado pela sua recusa em treinar, alegando salários atrasados. 

Reginaldo Silva – Artilheiro do Bandeirante/SP, o atacante só atuou duas vezes, contundiu-se e depois sumiu, não deu mais as caras no Arruda.

Edson Pelé – O jogador chegou em junho, mas só pôde estrear em agosto por se tratar de uma transação internacional. Em sua estréia, criou a jogada do terceiro gol coral no empate em 3x3 com o Cruzeiro, porém, na partida seguinte, sofreu uma lesão no tornozelo que o deixou mais de dois meses parado, retornando apenas diante do Fortaleza. Foi dispensado um dia antes do jogo contra o Cruzeiro.

Jorge Henrique – Bom jogador, Jorge Henrique foi um dos principais destaques positivos do time. Devido a falta de meias no elenco, o atleta acabou jogando mais recuado, mesmo assim agradou e é requisitado pela torcida para ter seu contrato renovado para 2007.

Mirandinha – Veio do desconhecido Galo Maringá, em junho. Esforçado, mas fraco tecnicamente, foi reserva por um bom tempo. Ganhou chance como titular nos últimos jogos, mas não conseguiu se destacar.

Roberval – Prata-da-casa, esperança no início do ano, não conseguiu se firmar e foi liberado para negociar com outros clubes.

Marco Brito – Chegou no início do ano, mas não agradou. Lento, disperso, displicente, fez apenas um gol e de pênalti. Desperdiçou a sua penalidade na final do Estadual e foi dispensado logo após a estréia no nacional, contra o Figueirense. Semanas depois de sua dispensa, deu uma entrevista ao LANCENET, na qual tentava deixar entendido que havia pedido para sair do clube e não que havia sido mandando embora.



COMISSÃO TÉCNICA

Foram cinco treinadores ao longo da Série A, cada um com seu preparador físico. Tantas mudanças não poderiam resultar em algo satisfatório.
 
Giba (técnico) e Lino Facchini (preparador) – Giba assumiu o time ainda no Pernambucano, após a saída de Givanildo Oliveira para o Atlético/PR. O modo de agir do treinador era bastante questionado, baseado em muita conversa e pouca vibração, algo que não ganharia tanta atenção, caso o título estadual não tivesse sido perdido. Na Série A, Giba comandou a equipe em quatro jogos, sendo demitido após o empate com a Ponte Preta, no Arruda.

Valdyr Espinosa (técnico) e Nilton Cruz (preparador) – Espinosa ficou um mês exato no cargo. Assumiu no dia 6 de maio, dirigiu a equipe na 5ª rodada e foi até a 10ª. Foram seis jogos, com um empate e cinco derrotas. Ficou marcado pelo discurso que freqüentemente focava a falta de qualidade do elenco.

Maurício Simões (técnico) e Eduardo Jacó (preparador) – Simões fez o que poucos acreditavam, deu ao Santa Cruz uma seqüência de quatro vitórias seguidas, logo nas primeiras partidas sob seu comando. Foi um começo arrasador, pautado principalmente pela raça, mas a equipe não conseguiu manter a pegada.

Adversários muito difíceis, a maioria brigando na ponta de cima da tabela, complicaram as coisas para Simões. Os bons resultados minguaram e, após uma derrota para o São Paulo, o técnico pediu demissão. Sob seu comando foram quatro vitórias, três empates e cinco derrotas.

Ernesto Guedes (técnico) e Márcio Faria (preparador) – Com a queda de Simões, o cargo de técnico ficou vago, assim, assumiu interinamente o então superintendente de futebol do clube Ernesto Guedes. Foi um erro. Os atletas não tinham um bom relacionamento com Guedes e na semana que antecedeu o único jogo comandado pelo interino, contra a Ponte Preta, em Campinas, os treinos no Arruda foram palco para seguidas demonstrações de desrespeito à autoridade. Resultado do jogo, Ponte 2x0 e Guedes voltava à sua função.

Fito Neves (técnico) e Sergio Tada (preparador) – Fito assumiu a equipe em uma situação pra lá de delicada. Além de, na tabela, as coisas parecerem irreversíveis, internamente elas não estavam melhores. O grupo era desunido e relapso.

Para tentar mudar as coisas, Fito implantou um sistema linha dura, levando o time para concentrar longe do Recife e exigindo mais nos treinos, principalmente na parte física. Parecia que ia dar certo, nas três primeiras partidas, três boas atuações e duas vitórias. Porém, na semana que antecedeu o quarto jogo, com o Botafogo, tudo deu errado.

Jogadores recusaram-se a treinar, alegando atraso nos salários, outros quase brigaram nos treinos. Como resultado do clima pesado, derrotas e mais derrotas. A solução tentada por Fito após isso foi a limpeza do elenco, dispensando aqueles atletas que, na opinião do treinador, estavam tumultuando o ambiente.

Fito seguiu comandando o Mais Querido até o final do Brasileiro.

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