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Futebol Profissional

Sucesso rápido no Santa Cruz, falta de base e morador da concentração: a simplicidade de Pitbull

Publicado: terça-feira,28 de março de 2017, às 10:47
Por: Daniel Lima

Aos 22 anos de idade, Halef Pitbull vive a melhor fase da sua vida. Artilheiro, xodó da torcida e centro das atenções no Arruda. O que mais impressiona é conseguir todo esse sucesso meteórico em pouco tempo de clube. Os seis gols marcados na temporada e as boas atuações o colocaram na condição de protagonista que nunca imaginaria sentir tão cedo. Em entrevista exclusiva para o portal CoralNET, o atacante coral comentou sobre o seu momento atual, revelou as dificuldades da carreira, como a falta de categoria de base, e falou com humildade da moradia na concentração. 

TRAJETÓRIA

Desde menino, batia peladas no interior da Bahia, em Potiraguá. Começou jogando em times amadores do Centro-Sul baiano. Passou por alguns traumas, como o esquecimento e até a falta de chuteiras para treinar. Pedia o material emprestado para os colegas até ser chamado para fazer um teste no Vitória da Conquista-BA, em 2015. Virou profissional, mas foi emprestado para o Flamengo da Bahia-BA e Atlântico-BA, onde marcou seis gols e foi o vice-artilheiro do Campeonato Baiano. 

Em 2016, sagrou-se campeão da Copa Governador do Estado ao voltar para o Vitória da Conquista-BA. Ainda no ano passado, o Cruzeiro-MG comprou 70% dos direitos econômicos de Halef e fez um contrato de três anos (até janeiro de 2020). Chegou ao Arruda por empréstimo até o final desta temporada. 

“Foi duro o início. Sempre tive a persistência de sair do amador para o profissional e alcançar meus objetivos. Virei profissional em 2015 e comecei a jogar. Em 2016, tive um ano muito bom. Quando me tornei profissional, ninguém me conhecia. Sai para o Mato Grosso e fui campeão. Retornei para o Vitória da Conquista, fomos campeões invictos e eu fui o artilheiro. O meu empresário teve uma conversa com o Cruzeiro, fizeram um acordo e fui cedido para o Santa”, contou. 

ASCENSÃO

Em menos de dois meses, o jovem caiu nas graças da torcida. Toda vez que toca na bola, gritos em alusão ao seu apelido são ecoados pelos tricolores. Ele confessou que nunca imaginou essa idolatria na carreira como Pitbull. 

“É importante o carinho que recebo no Santa. Não esperava tudo isso. Foi tão rápido. Já estão me chamando de ídolo. Quero honrar. Nunca tinha feito um gol para comemorar como um Pitbull na minha vida. Acabei imitando. Na Bahia, não tinha latido. Era um apelido normal. Não tinha repercussão. Não imaginava ser dessa maneira. Fui no shopping e uns torcedores latindo. Acho bacana. Pra mim essa apelido é muito importante para marcar a minha carreira”, disse. 

MARCANTE 

Entre os seis gols marcados, Pitbull considera o que fez contra o Sport Recife, no Arruda, como o mais importante até aqui. O atacante empatou o duelo e com um homem a menos em campo o Santa evitou a derrota para o maior rival após sair perdendo. 

“O mais importante, que me senti mais em casa, foi contra o Sport. Fui para a galera e esqueci tudo. Ficou marcado. O pessoal fala que eu tenho que ver esse estádio com 60 mil pessoas. Imagina a galera latindo...”, revelou. 

CARÊNCIA

Halef voltaria no tempo para suprir a falta de uma experiência em categorias de base, já  que não teve essa oportunidade na carreira. A rotina era dura, mas o sonho de tornar-se profissional virou realidade há dois anos depois de muito sofrimento.  

“Joguei sub-20, mas não tive base. Não acompanhei a trajetória que muitos jogadores tem para chegar no profissional. Eu sai de um time amador para fazer uma estreia em um time profissional. Fui bem e comecei a deslanchar. Infelizmente, sinto a carência da base até em questões de títulos”, lamentou. 

MORADIA

Todos os dias, acorda no Arruda. A concentração do clube é a sua casa. Em seus planos, está o de arrumar um lugar para morar perto do local de trabalho e trazer a família para uma visita. 

“Até então estou morando na concentração. Não tenho carro. Mas estou conseguindo um apartamento aqui perto. Meus pais vão vir aqui para conhecer, até porque eles merecem. Capital é muito diferente de interior. Quero trazer eles para conhecer aqui e tenho certeza que irão ficar orgulhosos”, revelou. 

HUMILDE

De origem pobre, Pitbull está encantado com o crescimento na vida, mas ao mesmo tempo centrado para não deixar a fama subir à cabeça. Um dos seus cuidados é justamente não destruir o que já foi construído com muito esforço. 

“Tem jogador que quando sobe na mídia já acha que é o cara. E às vezes acaba atrapalhando. Por ser um cara de família humilde, aprendi muito. Sei o que quero da minha vida. Não vou deixar dinheiro e fama atrapalharem, porque eu quero continuar sendo esse Halef Pitbull, sincero e educado. Meu foco é aqui. Não vou para as noitadas. Quero ter dinheiro, mas ajudar ao próximo. Minha família me ensinou assim. Eu quero trazer alegria para todo mundo”, refletiu. 

PROJETOS

Mesmo muito novo, algumas ideias já passam pela cabeça do atacante. Tem vontade de ser dono de uma escolinha de futebol no futuro. 

“Eu quero projetos. Fazer uma escolinha de futebol no meu interior. Quero estar no meio das pessoas carentes porque eu vim disso. Na minha época eu não tinha chuteira para treinar. Sempre alguém me emprestava. Não tive uma infância muito boa”, finalizou.

ASSISTA A ENTREVISTA

Foto: CoralNET

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