Os jogos do Tri-SuperCampeonato

Santa Cruz 0x0 Sport
04/12/1983 – domingo (Arruda)

Público: 51.192 pagantes
Santa Cruz: Luís Neto, Ricardo, Gomes, Edson Furquim e Almeida; Zé do Carmo, Ângelo e Henágio; Gabriel, Django e Assis (Bebeto).
Sport: País, Toninho, Marião, Joãozinho e Sérgio Moura; Merica (Toninho Silva), Buíque e Wilson Carrasco; Careca, Fernando Roberto e Rommel.
Resumo: No jogo que abriu o supercampeonato, tricolores e rubro-negros se encontravam pela terceira vez seguida e pela nona ocasião no campeonato. Portanto, os times se conheciam muito bem. Dessa vez, os goleiros foram os destaque da partida, especialmente o do Santa. Luís Neto fez algumas defesas monumentais, segundo a reportagem do Diario de Pernambuco da época. Embora o goleiro tricolor tenha tido mais trabalho que País na partida, pois o Sport teve mais chances de inaugurar o placar, o goleiro rubro-negro também salvou o seu time. No último minuto, Henágio entrou driblando na área adversária, mas foi frustrado por País, que mandou o chute do meia para escanteio. Como o Santa só voltaria a jogar no próximo domingo, contra o Náutico, enquanto os rivais do Mais Querido se enfrentariam na quarta-feira, o resultado agradou o técnico Carlos Alberto Silva. A má notícia ficou por conta da suspensão do zagueiro Edson Furquim e Henágio, que receberam o cartão amarelo e não poderiam jogar diante do Náutico. Assis e Edson Alves, vetados pelo departamento médico, também ficariam de fora.


Náutico 0x0 Sport
07/12/1983 - quarta-feira (Arruda)

Público: 50.778
Resumo: O resultado acabou com as chances de o Sport conquistar o tetracampeonato. O Náutico reclamou da arbitragem por conta da anulação de um gol e perdeu para a partida seguinte os jogadores Zé Eduardo, Edson Gaúcho, Ademir Lobo e Manguinha.


Santa Cruz 1x1 Náutico
11/12/1983 – domingo (Arruda)

Público: 58.190 pagantes
Santa Cruz: Luís Neto, Marco Antônio, Gomes, Ricardo e Almeida; Zé do Carmo, Peu e Flávio (Django); Gabriel, Ivan (Bebeto) e Ângelo.
Náutico: Cantarelli, Vilson, Zé Carlos, Ivan e Albéris; Lourival, Alex e Baiano; Porto, Mirandinha e Heider (Valdo).
Resumo: Logo no início do jogo, aos cinco minutos, o adversário tricolor saiu na frente com um gol do atacante Baiano. Mas o Santa não se abateu e empatou a decisão aos 14 minutos através do centroavante Ivan, a surpresa entre os titulares, que tocou por cima de Cantarelli depois de receber a bola em linda jogada de Zé do Carmo. O volante aplicou dois chapéus em seus marcadores antes de realizar o lançamento. A partir daí, as equipes passaram a ser mais cautelosas, com o Tricolor do Arruda levando mais perigoso nos contra-ataques. No final do primeiro tempo, o bandeirinha Laerte Marquezini invalidou um lance em que Ivan tinha grandes chances de virar o placar. Os corais reclamaram muito alegando que o jogador vinha de trás. Na segunda etapa, o domínio do Náutico não foi suficiente para que o encontro saísse do empate. Esse resultado forçou uma nova decisão e classificou os dois times para a Taça de Ouro de 84, a Série A da época, que era determinada via Estadual, além de ter mandado o Sport para a Taça de Prata do ano seguinte. Na partida extra do super, o Náutico não poderia ter Lourival, expulso. Em compensação, voltavam Edson Gaúcho, Zé Eduardo e Ademir Lobo. O Santa contava com o retorno de Henágio e Edson Furquim.


Santa Cruz (6) 1x1 (5) Náutico
18/12/1983 – domingo (Arruda)

Público: 76.636 pagantes
Santa Cruz: Luís Neto, Ricardo, Gomes, Edson Furquim e Almeida; Zé do Carmo (Marco Antônio), Henágio e Peu; Gabriel, Ivan (Django) e Ângelo.
Náutico: Cantarelli, Zé Carlos, Edson Gaúcho (Sávio), Zé Eduardo e Albéris; Ivan, Alex (Heider) e Baiano; Porto, Mirandinha e Ademir Lobo.
Resumo: “Eles brincaram e agora estão nervosos. Na verdade, eles são os favoritos, os medalhões do futebol pernambucano, mas nós, com toda humildade, vamos perturbar mesmo em busca do título”. Essa frase do meia Ângelo, do Santa, resumia o clima antes da decisão. Do outro lado, o técnico Ernesto Guedes assegurava que os seus jogadores tinham experiência para não se envolverem com os comentários de favoritismo a favor do Náutico. De fato, o Timbu era visto como um time de maior potencial técnico, enquanto o Tricolor tinha mais garra. Mas, dessa vez, tratava-se da grande final, com o empate levando o jogo para a prorrogação e, se necessário, aos pênaltis. Iniciada a partida, o Clássico das Emoções fez jus ao apelido. O Náutico começou no ataque, levando perigo à meta de Luís Neto. Depois de dominar quase todo o primeiro tempo, o adversário coral sofreu dois baques: primeiro, a expulsão de seu técnico; por fim, o gol do Santa marcado por Gabriel aos 43 minutos. O ponta-direita não balançava as redes há nove jogos. No segundo tempo, o Mais Querido teve a chance de chegar ao segundo gol através de Django, que mandou uma bola na trave aos 33 minutos. Quando a torcida tricolor sentia o gostinho do título como nunca havia experimentado durante o Estadual, o Náutico chegou ao empate, aos 42 minutos, por intermédio de Mirandinha. Antes, o autor do gol do Santa Cruz havia sido expulso. Com o empate no tempo regulamentar, seriam jogados mais 30 minutos para decidir quem seria o campeão. Na prorrogação, mais drama para a massa, pois o Timbu, com um jogador a mais, pressionou durante todo o complemento da partida. No entanto, as defesas do “paredão” Luís Neto levaram o Tricolor à disputa dos pênaltis. Na primeira série de cobranças, outro empate: 3x3 – Ângelo, Peu e Django marcaram os gols do Santa, enquanto Edson Furquim e Marco Antônio desperdiçaram suas tentativas. Na série alternada, Ademir Lobo foi o primeiro a cobrar, deixando o Náutico em vantagem (4x3). Almeida empata para o Santa (4x4). Zé Eduardo coloca o alvirrubro na frente novamente (5x4). Em seguida, Henágio marca (5x5). Aí, entra em ação a estrela de Luís Neto, que já tinha defendido um pênalti. É a vez do atacante Porto. Ele chuta, mas o goleiro tricolor segura firme. A defesa, no entanto, não é uma defesa qualquer. A bola fica em cima da linha, gerando muita confusão e reclamação do adversário. Depois de mais de 30 minutos de discussão, o zagueiro Gomes tem a chance nos seus pés de fazer a massa coral explodir de alegria. “Eram exatamente 20h50 quando o zagueiro Gomes corre para a bola”, disse o jornalista Givanildo Alves – a partida começou às 17h. Após quase quatro horas de agonia, a torcida do Santa Cruz soltava o grito de campeão com o pênalti convertido por Gomes (6x5). Ou melhor: tri-supercampeão!

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